Aos 10 anos, Youse admite que ser digital não basta e muda a marca
A seguradora Youse apresentou rebrand com Interbrand, Plau, Meiuca e Tech & Soul: sai o discurso do “100% digital”, entra a promessa de ajudar o cliente a decidir.

A Youse, seguradora digital que é marca da Caixa Seguradora, chegou aos dez anos com uma confissão rara em comunicação corporativa: aquilo que a fundou já não a diferencia. A empresa apresentou em 7 de outubro um rebrand completo, com nova identidade, tipografia própria, design system e uma campanha que troca o discurso de “somos digitais” por uma promessa mais humana, a de ajudar o cliente a decidir.
O projeto juntou quatro empresas. A Interbrand cuidou da estratégia e da identidade, a Plau desenhou a família tipográfica proprietária Youse Sans e a nova iconografia, a Meiuca construiu o design system e a Tech & Soul criou a campanha “Overthinking”, com o mote “Menos preocupação, mais Youse”.
O que muda na marca
Segundo a Revista Apólice, o reposicionamento veio depois de cerca de dois anos de estudos, com pesquisas quantitativas e qualitativas e entrevistas com clientes, parceiros, fornecedores e gente que cotou e não contratou. Um dos achados pesou na mudança visual: o público atual da Youse está acima dos 35 anos, e a linguagem baseada em rostos e emojis passou a soar jovem demais.
Na prática, o símbolo mantém a figura humana no centro, agora com mais legibilidade em tamanhos pequenos. Entra a assinatura “Youse Seguros” para deixar a categoria clara quando for preciso. O roxo, cor da casa, continua, mas ganha a companhia do amarelo, e a comunicação externa passa a usar menos cores. A Youse Sans foi pensada para títulos e leitura em tela, do app ao site.
Anne Grecco, CSO da Interbrand Brasil, resumiu o diagnóstico em uma frase: “ser digital já não diferencia uma seguradora”. Ágata Siqueira, diretora de marketing e vendas da Youse, foi na mesma linha à Apólice: “Ter uma jornada digital deixou de ser, por si só, uma experiência inovadora”.
Overthinking: a campanha que fala de ansiedade
O filme da Tech & Soul parte de uma cena que todo mundo conhece: a cabeça que não para antes de uma decisão. A tecnologia entra como quem organiza as opções, não como quem escolhe pela pessoa. Flavio Waiteman, cofundador e CCO da agência, disse que a ideia partiu “de uma verdade muito humana” e que a tecnologia deve simplificar a decisão “sem escolher por elas”. A peça usou inteligência artificial na construção das cenas e, principalmente, na pós-produção, com a produtora Phantasia.
Contexto: quando o diferencial vira obrigação
A Youse nasceu em 2016, ano dos registros de seus primeiros produtos na Susep, vendendo seguro auto, residencial e de vida direto pela internet. Até hoje o site se apresenta como “a maior insurtech da América Latina” e a primeira plataforma 100% digital de seguros do país. A venda direta, aliás, gerou desconfiança entre corretores no começo; hoje a rede de parceiros tem cerca de 4,5 mil profissionais, segundo a Apólice. Não por acaso, os corretores entraram nas pesquisas do rebrand.
Ágata Siqueira aponta 2019 como divisor: antes disso, a experiência digital era rara no mercado; com a pandemia, virou o básico. É o ciclo clássico de inovação que vira commodity, e a Youse não é a primeira marca a reescrever a própria promessa de origem. Aqui no portal, o Itaú Personnalité aposentou o “Sempre em movimento” aos 30 anos pelo mesmo motivo: a frase que fazia sentido na fundação já não descrevia o cliente de hoje.


