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Meta e OpenAI apostam em mascotes fofos para agentes de IA: é “cutewashing”?

Meta, OpenAI e SpaceXAI deram rostos fofos aos seus agentes de IA. A Fast Company chama de “cutewashing”; o BUCK diz que a IA precisa de mascotes, mas não desses iguais.

Meta e OpenAI apostam em mascotes fofos para agentes de IA: é “cutewashing”?
Divulgação/BUCK

A inteligência artificial ganhou bichinhos. Em poucas semanas, as maiores empresas do setor apresentaram agentes de IA com cara de pelúcia, e a Fast Company deu nome à onda em 8 de outubro: “cutewashing”, algo como lavar a imagem com fofura. Quatro dias depois, o It’s Nice That publicou um artigo de Kevin Walker, CCO do estúdio BUCK, defendendo o contrário: a IA precisa de mascotes, e só humanos conseguem criá-los.

A turma dos bichinhos

A lista da Fast Company começa com o GrokBot, agente da SpaceXAI lançado em 11 de agosto, com olhos grandes e redondos. Em 8 de setembro, a Meta lançou o Muse, representado por um personagem peludo e de bochechas rosadas, que a Axios chama de Jollybot; segundo a reportagem, ele foi desenhado por Alex Cornell, líder de design do produto, e aparece animado no topo do app enquanto o agente trabalha. Em 29 de setembro, a OpenAI apresentou os dots, criaturas coloridas no estilo Tamagotchi, em forma de coração, sapo ou nuvem de boina. Sam Altman disse que eles foram “inspirados nas versões legais do que todos nós vimos nos filmes quando crianças”.

O padrão é claro: olhos grandes, formas arredondadas, cores suaves e personalização. Anthony Cappetta, sócio e diretor de criação do estúdio Super Okay, disse à Fast Company que o objetivo não é originalidade, e sim ser “instantaneamente legível e confiável em escala”.

Por que a fofura funciona

Quem explica a ciência é Joshua Paul Dale, professor da Universidade Chuo, em Tóquio, e autor de “Irresistible”, livro sobre como a fofura conquistou o mundo. Segundo ele, coisas fofas despertam uma reação de aproximação e são perdoadas com mais facilidade quando erram, o que vem a calhar para uma tecnologia que ainda alucina. Dale também lembra que esses mesmos agentes podem “vigiar cada passo nosso”, e aí a pelúcia vira uma questão de confiança.

Walker parte de outro lugar. Ele cita o estudo “On Seeing Human”, de Nicholas Epley, Adam Waytz e John Cacioppo, para explicar por que a gente dá nome ao carro e diz que o computador está “teimoso”: humanizar é como entendemos o que não conhecemos. Mas o próprio Walker faz o alerta: um rosto pode fazer o sistema parecer mais esperto ou mais sensível do que é, e a confiança gerada pela personalidade “ainda precisa ser conquistada”.

Contexto: a internet já viu esse filme

Mascotes de tecnologia não são novidade. No fim dos anos 1990, o Jeeves do Ask.com, o fantoche de meia da Pets.com e o Clippy, da Microsoft, existiam para deixar a internet menos intimidadora. Quando a web virou rotina, eles sumiram.

Há um precedente ainda mais próximo, e o próprio BUCK participou dele. Em meados da década passada, o estúdio ajudou o então Facebook a criar o estilo de ilustração Alegria, com pessoas de proporções tortinhas. Airbnb, Google e outras copiaram, o estilo ganhou o apelido de “corporate Memphis” e virou meme de big tech tentando parecer simpática. Walker teme que os mascotes de IA sigam o mesmo caminho: saturação, mesmice e cansaço do usuário. A onda também chega a marcas fora do núcleo da IA, como mostramos no rebrand da Xsolla, que ganhou mascote pela Pentagram, e contrasta com o caminho artesanal que a Apple escolheu para o convite do evento desta semana.

Quem fugiu do padrão

A Fast Company cita dois contraexemplos. O assistente de IA do Notion, animado pelo BUCK a partir de um desenho do diretor de arte Roman Muradov, tem só olhos, sobrancelhas e nariz, todos animados à mão, quadro a quadro. Nada de brilhinho, o ícone de “estrelinha” que virou clichê de IA. O conselho de Walker é direto: “conheça sua marca primeiro”.

Tela do Notion AI em um notebook, com o pequeno rosto do assistente ao lado das respostas
O assistente de IA do Notion: o rostinho de poucos traços, animado pelo BUCK, aparece ao lado das respostas · Divulgação/BUCK

O outro é o Max, da Hebbia, criado pelo designer Arjun Mahesh: um robô modular e giratório, pensado para parecer vivo “sem parecer um bicho de estimação ou uma pessoa”.

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