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Nova lata da Coca-Cola Zero ainda confunde consumidores três meses depois

O redesenho global da Coca-Cola deixou a lata da Zero Açúcar parecida demais com a tradicional, e um vídeo viral de uma comissária de bordo reacendeu a reclamação. A identidade chega ao Brasil até 2027.

Nova lata da Coca-Cola Zero ainda confunde consumidores três meses depois
Divulgação/Coca-Cola

Três meses depois de estrear a nova identidade visual global, a Coca-Cola ainda ouve a mesma reclamação: a lata da versão Zero Açúcar ficou parecida demais com a da Coca-Cola tradicional. A discussão voltou na última semana com um vídeo no TikTok de uma comissária de bordo de Melbourne, na Austrália, que mostra as duas latas lado a lado e resume o problema na legenda: “perdi a conta de quantas Cocas erradas eu entreguei esta semana”. O caso foi repercutido pelo Attack of the Fanboy (7/10) e pela Creative Bloq (11/10).

O que mudou na lata

O redesenho foi anunciado pela The Coca-Cola Company em 20 de julho, com a meta de “deixar a Coca-Cola mais Coca-Cola”. O sistema reforça quatro ativos históricos da marca: o vermelho e branco, a escrita Spencerian, a Dynamic Ribbon (a onda branca criada em 1969) e o Arden Square, o quadrado vermelho da mesma época. A JKR assina a identidade global, a Superultrarare desenhou o sistema de embalagens e a Brody Associates cuidou da tipografia.

O filme de lançamento, no canal oficial da companhia, mostra a família de embalagens no novo sistema:

https://www.youtube.com/watch?v=IpAk9qfzWHg

A mudança mais sensível está na Zero Açúcar. A lata perdeu quase todo o preto: o logo e o nome “Zero Açúcar”, agora maior e com serifa, são brancos, como na versão tradicional, e o preto ficou restrito à faixa ondulada e às tampas das garrafas PET. No papel, são três sinais de diferença. Na prática, o vídeo da comissária mostra que a faixa preta e o nome da versão aparecem só de um lado da lata. Quem pega a lata pelo outro lado vê, basicamente, uma Coca-Cola comum.

Uma confusão que vem desde julho

A reclamação não é nova. Já na semana do lançamento, a Packaging Europe registrou consumidores chamando as versões de “indistinguíveis”, com menções a pessoas com diabetes. Nos comentários do TikTok, segundo a Creative Bloq, o argumento se repete: há quem diga que depende das letras pretas para identificar a versão sem açúcar.

No Brasil, a novidade chegou em julho com títulos alarmistas sobre o “fim da Coca-Cola Zero”, desmentidos no próprio texto: o produto continua à venda, a fórmula não muda e só a embalagem é trocada, aos poucos. Segundo a Folha de S.Paulo, citada pelo Giro News, as latas novas começam pelas regiões Nordeste e Centro-Oeste e devem chegar a todo o país até 2027.

O precedente que todo designer de embalagem conhece

O caso lembra o mais citado tropeço de embalagem da história recente. Em janeiro de 2009, a Tropicana trocou a laranja com canudinho por uma caixa minimalista, quase genérica. Em cerca de dois meses, as vendas caíram 20%, algo em torno de US$ 30 milhões, segundo o The Branding Journal, e a marca anunciou a volta da embalagem antiga em 23 de fevereiro. A lição ficou: o consumidor não lê a embalagem, ele reconhece.

A diferença é que a Coca-Cola não apagou o sinal; ela o encolheu e o mandou para o lado da lata. E, ao contrário da Tropicana, a confusão aqui não troca uma marca por outra. Troca uma versão por outra dentro da mesma marca, o que protege a receita da empresa, mas não a experiência de quem queria a Zero.

O que diz a Coca-Cola

A companhia defende o sistema único como questão de reconhecimento. “Este refresh é sobre ser mais clara e mais consistente na forma como aparecemos, onde quer que as pessoas tenham contato com a nossa marca”, disse Arnab Roy, presidente da Coca-Cola Global Category, no comunicado de julho. Até a publicação da Creative Bloq, a empresa não havia comentado as reclamações sobre a lata da Zero.

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