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Marshall põe bandas para tocar em casas de show que já fecharam nos EUA

Na série “The Dead Venue Sessions”, da Anomaly, bandas independentes fazem um último show onde hoje há uma praça de alimentação, uma academia e uma barbearia. O filme vem junto com dinheiro para as casas que ainda resistem.

Marshall põe bandas para tocar em casas de show que já fecharam nos EUA
Divulgação/Marshall

A Marshall, fabricante britânica de amplificadores, fones e caixas de som, fechou no início de outubro a série “The Dead Venue Sessions”: três bandas independentes fizeram um último show no endereço de casas de show americanas que fecharam e hoje abrigam uma praça de alimentação, uma academia e uma barbearia. Os três episódios, de cerca de seis minutos, saíram entre 18 de setembro e 2 de outubro. A ideia é da agência Anomaly, com direção da documentarista e fotógrafa Cheryl Dunn e produção da AllDayEveryDay.

Três palcos que viraram outra coisa

O roteiro se repete, e é isso que funciona: uma banda nova monta o equipamento onde ninguém imaginaria um palco e devolve o barulho ao endereço.

  • China Chalet, Nova York: o restaurante que virava pista para “gerações de club kids do centro”, nas palavras da Pollstar, hoje é praça de alimentação com fliperama. Quem toca é a Planta Industrial, banda punk dominicana do Bronx, que aproveitou para estrear o single “MIA”.
  • Stalag 13, Filadélfia: o espaço punk “faça você mesmo” de West Philadelphia virou academia de musculação. A banda de emo Sweet Pill toca “No Control”, do disco de 2026.
  • London Fog, Los Angeles: a casa lembrada por ter lançado The Doors hoje é uma barbearia. As Linda Lindas tocam “Burning Out”, do álbum mais recente.

O episódio de Los Angeles, publicado no canal oficial da Marshall, mostra o tom da série, mais perto de documentário musical do que de comercial:

“Centenas de artistas começaram em palcos pelo país que já se apagaram”, disse Christine Kennedy Grant, vice-presidente de marketing de marca do Marshall Group, no comunicado. “Esta série mostra três casas, mas representa milhares.” Segundo ela, a esperança é que os filmes aumentem a atenção e o apoio às casas pequenas e ajudem “a manter as luzes acesas”.

Banda Planta Industrial tocando no espaço do antigo China Chalet, em Nova York
A Planta Industrial no antigo China Chalet, hoje um fliperama em Nova York, no primeiro episódio da série · Divulgação/Marshall

Não é só filme: tem dinheiro na mesa

O que separa a série de um vídeo de nostalgia é o que vem junto. Em março, a Marshall lançou o Amplify, um programa gratuito de associados em que a marca destina às casas de show independentes um valor equivalente a 1% das compras feitas pelos membros no site oficial. Nos Estados Unidos, o programa já apoia casas como Baby’s All Right, em Nova York, Zebulon, em Los Angeles, e Mohawk, em Austin, segundo a Pollstar. Junto com a série, a marca lançou uma camiseta “Keep Live Music Alive”, com 100% do valor revertido para as casas independentes.

No lançamento do Amplify, o CMO Nick Street resumiu: “Casas independentes não são só parte da história da música, é nelas que o futuro é escrito”.

O contexto: palco pequeno, conta grande

Nos Estados Unidos, o estudo “State of Live” de 2025 da NIVA, a associação das casas independentes, citado pela DesignRush, aponta que 64% do setor independente de música ao vivo não teve lucro em 2024. No Reino Unido, terra natal da marca, o relatório anual do Music Venue Trust divulgado em janeiro, segundo a Rolling Stone UK, mostrou que 53% das casas de base não lucraram em 2025 e que 30 fecharam de vez no ano.

E a Marshall tem lastro para falar disso. A marca nasceu em 1962, quando Jim Marshall, o “pai do volume”, fundou com o filho Terry a Marshall Amplification em Hanwell, no oeste de Londres, berço dos amplificadores que viraram paisagem de qualquer palco de rock. Em 2010, a sueca Zound licenciou o nome para fones e caixas de som; as duas empresas se fundiram em 2023 no Marshall Group, que em 2025 acertou a venda do controle ao fundo HongShan, segundo a Music Business Worldwide. A página da nova série vem com uma frase que funciona como posicionamento: “Mantendo a música ao vivo viva desde 1962”.

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