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A semana em marcas: a Apple reacende a maçã, e a Visa fica só com o V

Apple, Visa, Canva, o doce brasileiro na beleza e o Walmart com os Muppets lideram o ranking da semana; a Veja acerta e o Tinder tropeça.

A semana em marcas: a Apple reacende a maçã, e a Visa fica só com o V
Divulgação/Visa

Teve marca que acendeu de novo um logo apagado havia uma década, marca que encolheu o símbolo até sobrar uma letra e marca que pediu para virar verbo. A semana de 26 de outubro a 1º de novembro foi, no fundo, sobre um mesmo exercício: descobrir qual é o pedaço mínimo de uma marca que ainda faz o público reconhecê-la. Abaixo, o ranking da redação com as cinco notícias de marca mais importantes, um acerto, um tropeço e a tendência.

1. A Apple reacende a maçã

Na quarta (28), o novo MacBook Pro trouxe de volta a maçã iluminada na tampa, aposentada a partir de 2016. É a notícia da semana porque mostra uma marca rica o bastante para guardar ativos na gaveta e tirá-los de lá quando a nostalgia vira argumento de venda. Para a redação, o gesto vale mais pelo recado do que pela luz: nenhum ativo de marca morre de verdade enquanto o público ainda lembra dele. Leia a matéria.

2. A Visa fica só com o V

A Visa começou a trocar o símbolo em forma de bandeira, criado em 2021, por um “V” sozinho em cartões e telas pequenas, acompanhado de uma fonte própria, a Visa Sans. A página oficial da empresa, de 21 de outubro, resume o projeto como “uma renovação, não uma reinvenção”, e a mudança repercutiu ao longo desta semana. O trabalho é do estúdio interno com a Base Design, segundo a DesignRush, citando o Business Insider. O CMO Frank Cooper III foi direto: “Não temos um problema de reconhecimento. Temos confiança profunda.” A redação aposta que a mudança envelhece bem: num mundo de ícones de app e compras feitas por agentes de IA, uma letra é mais útil do que uma bandeira.

Cartão Visa azul com a identidade renovada
Aplicação da identidade renovada da Visa · Divulgação/Visa

3. O Canva quer virar verbo

Na sexta (30), o Canva aposentou o “What will you design today?”, frase que ocupava sua página inicial havia quase 13 anos, e lançou “What will you Canva today?”, com a Goodby Silverstein & Partners, nos Estados Unidos e no Canadá. Os filmes escondem demonstrações do produto em esquetes de comédia, como uma mulher que apaga ex-namorados das fotos e depois se arrepende. Segundo o B9, a empresa percebeu que muita gente conhece a plataforma, usa para uma tarefa e não volta. Virar verbo é a ambição máxima de qualquer marca, mas não se decreta: Google e Xerox chegaram lá pelo uso, não pelo slogan. Ainda assim, é um jeito honesto de dizer que o Canva quer ser mais do que um editor de posts.

4. O doce brasileiro vira território

A L’Occitane au Brésil e a Moça lançaram a Pudimcare, linha de banho com cheiro de pudim, e na mesma semana Fini, Burger King e Trident também entraram na beleza. Juntas, as collabs mostram uma categoria de doce que descobriu que afeto se licencia. Para a redação, a L’Occitane é a mais consistente, porque é a terceira linha inspirada em doce brasileiro e já trata o tema como território, não como ação pontual. Leia a matéria da Pudimcare e a das collabs gourmand.

5. O Walmart reescreve Dickens com os Muppets

Em “A Who Knew Carol”, o Walmart transformou os três fantasmas do Natal em presentes, ofertas e entrega rápida, com Walton Goggins como Scrooge. É licenciamento bem usado: o clássico serve à plataforma da marca, e não o contrário. O alerta é que, depois do Grinch em 2025, a plataforma começa a depender de personagens emprestados. Leia a matéria.

Também saíram no portal nesta semana: o Duolingo virando desenho animado, a FARM Rio na camisa do Real Madrid, a Oatly trocando a briga com o leite pelo sabor e o Pubscription, o “streaming” de bares da Heineken.

Acerto da semana: a Veja e o “eu que lute”

A Veja pegou uma expressão de cansaço da internet e fez dela a promessa da marca, num relançamento que terminou com teste de produto ao vivo na TV. É acerto porque troca o discurso da casa impecável por empatia com quem limpa, sem tirar o produto do centro, coisa que muita campanha de “entretenimento” esquece. Leia a matéria.

Tropeço da semana: o Tinder anuncia um visual que ninguém viu

Na sexta (30), o Tinder lançou no Brasil uma campanha multicanal para apresentar uma nova identidade visual e os recursos “Modo Música” e “Modo Astrologia”, com mídia em TikTok, Netflix, Spotify, relógios de rua e academias de São Paulo e do Rio, segundo o Propmark. O problema é que o anúncio não diz o que mudou: nenhuma cor, logo ou fonte é descrita, e nenhuma agência é creditada. Rebrand que não se explica desperdiça o único momento em que o público está prestando atenção na marca, e deixa a conversa toda para os recursos do app. Não é um erro de design, que ninguém pôde avaliar; é um erro de comunicação.

A tendência: a marca mínima viável

Junte as peças e o padrão aparece. A Apple devolve à tampa o símbolo mais simples que tem, a Visa reduz a bandeira a uma letra, o Canva aposta no próprio nome como ação, e a Veja resume a marca a uma promessa de três palavras. Num cenário de telas cada vez menores, ícones de app e assistentes de IA que escolhem por nós, a pergunta que as marcas estão se fazendo é qual o menor sinal capaz de carregar todo o seu valor. Quem já tem ativos fortes, como a maçã ou o V, sai na frente. Quem ainda não tem, como mostra o Tinder, precisa ao menos contar ao público o que mudou.

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