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Gol leva o check-in para o ChatGPT e testa o que sobra da marca na conversa

A partir de 19/10, passageiros da Gol poderão fazer check-in e gerar o cartão de embarque digitando @gol no ChatGPT. A ideia é boa, mas levanta uma pergunta: o que sobra da marca quando a jornada acontece na tela de outra empresa?

Gol leva o check-in para o ChatGPT e testa o que sobra da marca na conversa
Divulgação/Gol

A partir da próxima segunda-feira, 19 de outubro, quem voa de Gol vai poder fazer check-in sem abrir o app nem o site da companhia. Basta digitar @gol numa conversa do ChatGPT, pedir para ver as próprias viagens e seguir o roteiro: escolher o assento, confirmar a presença no voo e gerar o cartão de embarque com QR Code, que pode ser baixado ou salvo na carteira do celular. O recurso, anunciado pela aérea na semana passada, está em teste restrito e será liberado para todos os usuários do assistente da OpenAI, inclusive os da versão gratuita, sem custo extra.

A Gol diz ser a primeira companhia aérea da América Latina a oferecer esse tipo de serviço numa plataforma de IA generativa. O título de pioneira é autodeclarado.

Totens de autoatendimento com a marca Gol na área de check-in do aeroporto do Galeão, no Rio
Totens da área de check-in internacional da Gol no RIOgaleão · Divulgação/Gol

Como funciona (e onde fica a senha)

O detalhe mais importante do anúncio é o que não acontece dentro do ChatGPT. Quando o passageiro chama a Gol na conversa, o assistente abre uma aba de login no ambiente oficial da companhia, e a autenticação acontece ali. Segundo a empresa, o ChatGPT não tem acesso às credenciais nem aos dados sensíveis do cliente, e a solução segue os protocolos de segurança da aérea e a LGPD.

Luiz Borrego, CIO da Gol, resumiu a aposta no comunicado reproduzido pelo Propmark: “A integração com o ChatGPT oferece uma alternativa conversacional rápida”. A empresa trata o lançamento como a primeira fase de um projeto maior de IA generativa e promete novas integrações e serviços nos próximos meses, conforme o uso e o retorno dos passageiros.

Contexto: a Gol já fez isso antes, só que em outra tela

Levar o check-in para onde o passageiro está não é novidade na história da Gol. A companhia lembra que introduziu o check-in pela internet no Brasil em 2001 e, depois, as versões por celular e SMS. Em 2024, foi a primeira aérea da América Latina a suportar as Live Activities do iPhone, aquele cartão que mostra o status do voo na tela bloqueada. A lógica é sempre a mesma: ir atrás do cliente na interface que ele já usa, em vez de obrigar o cliente a ir até a marca.

A diferença é que, desta vez, a interface tem dono, e não é um sistema operacional. Os apps dentro do ChatGPT nasceram em outubro de 2025, no DevDay da OpenAI, com nomes como Booking.com, Expedia, Spotify, Figma, Canva e Zillow, segundo o TechCrunch. Na aviação, quem abriu a porta foi a Virgin Atlantic: em 20 de abril deste ano, a britânica lançou o que chamou de primeiro app de companhia aérea no ChatGPT, focado em busca de voos. “Você só pergunta, e nós fazemos o resto”, disse Juha Jaervinen, diretor de clientes da empresa, no comunicado oficial. Repare que a Virgin manda o cliente fechar a compra no próprio site; a Gol leva para dentro da conversa uma etapa inteira da jornada, a do embarque.

Por aqui, a disputa por atenção no setor também anda criativa. A LATAM Pass, por exemplo, trocou o tutorial de milhas por uma sitcom vertical de condomínio. Uma quer que você assista à marca; a outra, que você mal perceba que passou por ela.

Avião Airbus A330 com a pintura laranja da Gol na pista
Airbus A330 com a pintura da Gol, usado na rota Rio-Lisboa · Divulgação/Gol
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