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Arsenal homenageia ídolo com fonte gótica e fecha seu trio tipográfico

A Rocastle, blackletter desenhada por David Rudnick em quatro anos, homenageia David Rocastle e completa o sistema tipográfico do Arsenal, ao lado da Northbank e da Chapman.

Arsenal homenageia ídolo com fonte gótica e fecha seu trio tipográfico
Divulgação/Arsenal

O Arsenal ganhou uma letra gótica para chamar de sua. O clube inglês apresentou a Rocastle, uma família tipográfica blackletter de três pesos desenhada à mão por David Rudnick, do estúdio terrain, com Léa Bruneau. O nome homenageia David Rocastle, o “Rocky”, meio-campista que ajudou o time a ganhar o Campeonato Inglês em 1989 e 1991. A fonte foi mostrada no Design Museum, em Londres, numa conversa com o público em 9 de outubro e na exposição gratuita “Arsenal by Design”, nos dias 10 e 11, e repercutiu na imprensa de design ao longo da semana seguinte.

Quatro anos e um G teimoso

O desenvolvimento levou cerca de quatro anos. Segundo o It’s Nice That, quase todas as letras são exclusivas do sistema, e o G foi o vilão da história: Johnnie Campbell, líder do estúdio criativo do clube, perguntava com frequência se a letra estava resolvida, e a equipe respondia mostrando a “iteração 2.000”. Rudnick admite o exagero: “I knew it was crazy, but that also came from the kind of passion I think you get as a fan”. Ele é torcedor do Arsenal desde sempre.

A inspiração vem do arquivo: o lettering do antigo escudo com o lema “Victoria Concordia Crescit”, programas de jogo, ingressos de papel e memorabilia guardada por torcedores. No peso principal, uma linha atravessa cada letra. Segundo a Creative Review, ela representa a ligação entre torcedores de Londres e do resto do mundo e também a mudança do clube de Woolwich para o norte da cidade, além do caminho do próprio Rocastle, do sul de Londres até Highbury. Há ainda floreios que, para a Fast Company, lembram bandeirolas ao vento.

Junto com a fonte chega “The Capital”, um “A” blackletter avulso que passa a ser um dos três logos principais do clube, ao lado do escudo e do canhão.

Três fontes, três pilares

A Rocastle fecha um sistema que o clube começou a montar em 2022, todo desenhado por Rudnick. Cada fonte cuida de um pilar da marca:

  • Northbank (2022), o time: sem serifa grossa e pesada, derivada da sinalização do antigo estádio de Highbury. Aparece em caixa-alta nos nomes dos jogadores, nos telões e no centro de treinamento.
  • Chapman (2023), a comunidade: sem serifa humanista, para ler programas e conteúdos fora dos dias de jogo.
  • Rocastle (2026), a cultura: o território onde, nas palavras da exposição, o futebol cruza com moda, arte e música.

A Rocastle não vai aparecer em todo lugar. Campbell diz que ela fica reservada aos “melhores momentos” do clube, como drops de moda, exposições e colaborações. Isso ajuda a responder às críticas de legibilidade que, segundo a Fast Company, surgiram nas redes: ninguém vai ler a escalação em letra gótica.

Contexto: quem é Rocky e por que um clube precisa de fonte

David Rocastle chegou ao Arsenal aos 15 anos, fez 277 jogos pelo clube e morreu em 2001, aos 33, vítima de um linfoma não Hodgkin, como lembra o It’s Nice That. Para Rudnick, a escolha foi natural: “Nothing spoke more to me about the enduring values of the club than Rocky”. Dar o nome de um ídolo a uma fonte é uma homenagem que dura mais que uma camisa comemorativa, porque passa a ser usada sempre que o clube quiser falar de cultura.

O movimento conversa com uma tendência mais ampla. Em 2017, a Juventus trocou o escudo tradicional por um “J” minimalista, desenhado pela Interbrand, justamente para levar a marca para fora do campo, de moda a produtos licenciados. O Arsenal faz o caminho oposto no tom, buscando o passado em vez da simplificação, mas com o mesmo objetivo: ter ativos visuais que funcionem numa vitrine de loja tanto quanto no estádio. Campbell resume: “Way beyond the 90 minutes, what we need to do is fill that badge with creativity, pride and identity”.

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