FARM Rio pinta o Real Madrid de floresta e usa a camisa como passaporte
A coleção FARM Rio + adidas + Real Madrid leva estampas tropicais ao clube espanhol e chega junto com a primeira loja da marca carioca em Madri. Para a FARM, a camisa é menos produto e mais cartão de visita.

A FARM Rio conseguiu um feito que muito estilista sonha e pouquíssimos realizam: vestir o Real Madrid. A coleção-cápsula FARM Rio + adidas + Real Madrid chegou às lojas em 13 de outubro, com cinco estampas exclusivas, duas camisas pré-jogo usadas pelo elenco e uma linha de agasalhos, moletons, bonés, bolsas e cachecóis. Uma semana antes, em 6 de outubro, a marca carioca abriu sua primeira loja temporária em Madri, no bairro de Salamanca. A coincidência de datas não tem nada de coincidência.
Floresta no branco merengue
O ponto de partida foi juntar o verde e o rosa que viraram assinatura da FARM com o branco tradicional do clube. Segundo a Propmark e o GKPB, as cinco estampas vão de florais reinterpretados como camuflagem a linhas diagonais esportivas e grafismos tom sobre tom. Dani Moritz, head de design da FARM Rio, resumiu a ideia ao GKPB: “Nosso ponto de partida foi pensar de onde vem a nossa grandeza”.
A campanha troca o gramado pela areia. Jude Bellingham, Vini Jr., Arda Güler e as jogadoras Merle Frohms, Maëlle Lakrar e Linda Caicedo aparecem jogando altinha, a roda de toques sem deixar a bola cair, patrimônio das praias cariocas. O próprio clube, no comunicado oficial, descreve a altinha como símbolo de “comunidade, criatividade e união” e amarra a coleção à linhagem brasileira do Real: Roberto Carlos, Kaká, Marcelo e agora Vini Jr.

Os preços acompanham o status das duas marcas. Na loja oficial do clube nos Estados Unidos, segundo o Mundo do Marketing, a jaqueta sai por US$ 150, o moletom e a calça por US$ 125 cada, a bolsa por US$ 65 e o boné por US$ 35.
Contexto: dez anos de adidas e uma marca que já fala inglês
A parceria com a adidas começou em 2014, com a adidas Originals, e já passou pelo futebol carioca: a FARM fez coleções para o Flamengo em 2015 e em 2024, esta última voltada à torcedora, com urubus e calçadas do Rio nas estampas. Agora a escala é outra: o Real Madrid, que em junho estendeu o contrato com a adidas até 2034.
E a FARM chega a Madri com números de marca global. Segundo a Forbes Brasil, a empresa faturou o recorde de R$ 3,4 bilhões em 2025, dos quais R$ 1,3 bilhão veio de fora do Brasil, com alta de 21%. São mais de 130 lojas no país e 18 pontos próprios ou franqueados no exterior, de Nova York a Dubai, além de lojas de verão na Europa. Em entrevista à InfoMoney, o CEO Fábio Barreto definiu a loja física como “um ‘portal mágico’” que ajuda a explicar o contexto da marca, e contou que “o sucesso surpreendeu a própria Adidas”.

Há ainda um pano de fundo de negócios. Em junho, a Azzas 2154, dona da FARM, contratou o Morgan Stanley para avaliar alternativas estratégicas para a marca, e veículos como a Bloomberg Línea relatam conversas com potenciais interessados. Nada foi decidido, mas, com a marca sob avaliação de investidores, aparecer na camisa do Real Madrid é um bom jeito de mostrar que ela cabe em vitrines maiores do que o Leblon.
O futebol tem sido laboratório de marca neste mês: a Spotify cedeu o próprio logo da camisa do Barça a Tyler, The Creator, e a PUMA vai vender a camisa do Divino FC, time fictício de novela. A camisa virou mídia.