Agibank assume a camisa do Santos, e o peito pós-bets vira vitrine de banco
Com as bets fora do futebol, o Agibank vira patrocinador máster do Santos até o fim de 2026. Veja como cada grande clube ocupou o espaço mais nobre da camisa.

O peito da camisa do Santos voltou a ter dono. O Agibank é o novo patrocinador máster do clube, num acordo que vale até o fim da temporada 2026 e ocupa o espaço principal da frente do uniforme do time profissional masculino. O anúncio oficial saiu na sexta-feira, 16 de outubro, e a marca estreou no domingo, 18, contra o Fluminense, no Maracanã, com transmissão da TV Globo para todo o país. Os valores não foram divulgados.
O banco substitui a Novibet, casa de apostas que estampava a camisa santista até a Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro, proibir a operação e a publicidade das bets no Brasil. Como o Só uma artezinha contou na época, os clubes tiveram até 5 de outubro para tirar as marcas do uniforme. Segundo a Tribuna de Jundiaí, antes de fechar com o Agibank o Santos chegou a negociar com a Aionos, do setor de energia, sem acordo.

O que dizem clube e banco
No comunicado oficial do Santos, o presidente Marcelo Teixeira afirma que “parceria como essa é importante para manutenção de uma grande equipe e execução de projetos em desenvolvimento”. Caio Lacerda, executivo de marketing e negócios do clube, diz que contar com uma empresa “desse porte” reforça a confiança no projeto.
Do lado do banco, o CMO Matheus Girardi fala em “uma tradição que atravessa gerações” e numa “forte conexão com o Brasil popular”. Segundo ele, o Santos foi o clube brasileiro que mais cresceu em engajamento nas redes sociais em 2025 e 2026, e a presença de nomes como Neymar, Coutinho e Gabigol completa a conta: “Essa combinação faz da parceria um ativo estratégico para o Agibank”.
A escolha conversa com o posicionamento que o próprio banco declara. O Agibank se apresenta como um banco híbrido, com aplicativo digital e centenas de lojas físicas, voltado à parcela da população que, nas palavras do comunicado, costuma ser ignorada tanto pelos bancos tradicionais quanto pelos 100% digitais. Não é a estreia da marca no esporte popular: em 2025, ela foi patrocinadora máster da Taça das Favelas.
Um peito, cinco soluções
O caso do Santos ajuda a enxergar como cada grande clube resolveu, até aqui, o buraco deixado pelas bets. Segundo o Meio & Mensagem, São Paulo e Fluminense passaram a exibir a Superscore, plataforma de estatísticas esportivas do mesmo grupo econômico da Superbet. O Corinthians colocou a Jota.ai, empresa de inteligência artificial. O Flamengo usou o espaço para a mensagem “Proibir não é proteger”. E o Palmeiras preferiu deixar a frente da camisa vazia.
Entre troca de categoria, grupo econômico com outro nome, tecnologia, protesto e espera, a resposta do Santos é a mais tradicional: um banco.
Banco na camisa não é novidade
O movimento lembra outra era do futebol brasileiro. Em março de 2017, por exemplo, o Santos fechou com a Caixa um patrocínio máster de R$ 16 milhões, válido até o fim daquele ano. Na época, só Corinthians (R$ 30 milhões) e Flamengo (R$ 25 milhões) recebiam mais do banco público. A diferença de escala é grande: segundo levantamento citado pelo portal em setembro, os patrocínios de bets renderam R$ 1,14 bilhão aos clubes da Série A em 2025, e o contrato do Flamengo com a Betano chegava a R$ 268,5 milhões por temporada. O mercado que agora disputa o peito da camisa é outro, e o preço também deve ser.
Fontes
- Santos FC: Agibank é o novo patrocinador master do Santos FC
- Agibank: Agibank é o novo patrocinador master do Santos F.C
- Meio & Mensagem: Após proibição das bets, Santos tem novo patrocinador
- GKPB: Agibank e Santos
- Tribuna de Jundiaí: Santos fecha patrocínio máster com banco até o final de 2026
- Agibank: patrocinador master da Taça das Favelas 2025
- Diário Online: Santos acerta patrocínio master de R$ 16 milhões com a Caixa (2017)
- Só uma artezinha: MP das bets, Betano, Esportes da Sorte e cia. têm até 5 de outubro para sair das camisas