Converse retira anúncio com Karina, do aespa, e pede desculpas após leitura racista das imagens
Usuários associaram a luz e a composição das fotos do Chuck 70 X a símbolos da Ku Klux Klan e a imagens de linchamento; a marca admitiu o erro no mesmo dia em que a crítica ganhou força.
A Converse retirou de seus canais uma campanha do tênis Chuck 70 X estrelada por Karina, integrante do grupo de K-pop aespa, e pediu desculpas publicamente. A decisão veio depois que usuários das redes sociais associaram elementos das imagens a símbolos da Ku Klux Klan e a cenas de linchamento. A crítica começou no fim de semana e ganhou força na segunda-feira, 21 de setembro, segundo o Meio & Mensagem.
O que as imagens mostravam
Na foto principal, Karina aparece com uma saia branca segurando um par de tênis. A iluminação em forma de estrela projetava uma sombra triangular sobre a roupa, e parte do público viu ali uma referência aos capuzes pontudos da KKK. Em outra imagem, pessoas numa escada tentam alcançar tênis pendurados numa árvore, o que críticos interpretaram como alusão a linchamentos, de acordo com o GKPB.
A marca reagiu rápido. “Nós lamentamos. Entendemos por que essa imagem é profundamente perturbadora e reconhecemos que erramos”, disse a Converse em nota, segundo tradução do Meio & Mensagem. A empresa afirmou ter removido o material de seus canais e estar trabalhando para retirá-lo de todos os lugares onde foi publicado.
Mesmo com a remoção, usuários continuaram pedindo boicote nos comentários de outros posts da marca no Instagram. A IstoÉ acrescenta que o presidente da Converse, Aaron Cain, disse aos funcionários que a empresa faria as mudanças necessárias, e ressalta que não há indício de que a marca tenha tido intenção de fazer qualquer referência à KKK ou à violência racial.
O debate do “dog whistle”
O Propmark usou o caso para explicar o termo “dog whistle”, ou apito de cachorro: mensagens codificadas que só determinados grupos reconhecem. A reportagem lembra episódios recentes em que marcas foram acusadas de mensagens desse tipo, como a campanha de jeans da American Eagle com Sydney Sweeney e uma fantasia de Halloween da Target, e sublinha que em nenhum deles foi comprovada intenção deliberada.
“Nem todo mundo escuta a mesma coisa; somente alguns escutam certas coisas. Mas nem toda ambiguidade é dog whistle”, disse ao Propmark o professor Rafael Yamaga, da ESPM.
